dietoterapia

O que é dietoterapia?

 

A Dietoterapia ou Terapia Clínica Nutricional (TCN) compreende uma série de cuidados nutricionais que devem ser observados durante o tratamento de doenças específicas. A Nutrição pode ser uma ferramenta poderosa para o tratamento de várias enfermidades!

 

Diabetes mellitus

 

O que é a diabetes?

A diabetes é um grupo de doenças crônicas, multifatoriais, por enquanto incuráveis, caracterizadas por altos níveis de glicose sangüínea. No Brasil, o diabetes acomete 10% da população entre 30 e 69 anos, atingindo algo entre 9 a 10 milhões de pessoas. O diabetes está presente em 40% dos casos de doenças cardiovasculares.

 

Tipos de diabetes

Existem, basicamente, dois tipos de diabetes: o DM tipo 1 e o DM tipo 2.

 

Diabetes tipo 1

Corresponde a aproximadamente 5 a 10% dos casos de diabetes, sendo caracterizado pela destruição das células que produzem insulina (células beta). As pessoas portadoras de diabetes tipo 1 são dependentes de insulina exógena

 

Diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 pode responder por até 95% dos casos de diabetes e é caracterizado por resistência à insulina. Fatores genéticos e ambientais (ingestão excessiva de calorias, obesidade, inatividade física e idade avançada) estão envolvidos com o surgimento da doença. O portador de DM tipo 2 não precisa de insulina exógena e pode controlar sua taxa de glicose por meio de modificações na dieta e prática de atividades físicas.

 

Outros tipos de diabetes

O Diabetes Gestacional acomete mulheres grávidas e está relacionado com alterações hormonais fisiológicas que ocorrem naturalmente durante a gestação. Normalmente, este tipo de diabetes desaparece quando termina a gravidez. O diabetes pode ser secundário em casos de doenças endócrinas e pancreática. A desnutrição também pode levar ao diabetes. O diabetes também pode resultar de síndromes genéticas específicas, cirurgias, drogas, infecções e outras doenças.

 

Sinais e sintomas

Muita sede, vontade de urinar diversas vezes, perda de peso, fome exagerada, visão embaçada, infecções repetidas na pele ou mucosas, machucados que demoram a cicatrizar, fadiga, dores nas pernas. Muitas vezes, os sintomas não se manifestam ou são vagos, por isso, é importante controlar a glicemia por meio de exames periódicos.

 

Diagnóstico

Como a maioria dos portadores de diabetes tipo 2 não apresenta os sintomas da doença, recomenda-se o diagnóstico laboratorial precoce nos grupos de risco. Os testes incluem medida da glicose sangüínea e teste oral de tolerância à glicose.

 

Complicações

As complicações agudas, que surgem nos pacientes diabéticos “descompensados”, incluem cetoacidose diabética, síndrome hiperosmolar hiperglicêmica não cetótica e hipoglicemia. Em longo prazo, podem surgir doenças macrovasculares e doenças microvasculares.

 

Tratamento

Por ser uma doença multifatorial, o diabetes mellitus precisa ser tratado por uma equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais das ciências médicas e nutricionais, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, etc... O principal objetivo do tratamento é manter a glicemia estável.

 

Tratamento nutricional

Pessoas diabéticas precisam dar mais atenção à sua alimentação do que a população sadia. Na verdade, a alimentação do diabético não precisa ser diferente; só é preciso observar as quantidades e as combinações entre os alimentos. Os diabéticos devem fazer seis refeições (pouco volumosas) por dia, com intervalos máximos de 3 horas entre elas.

 

Doença de alzheimer

 

O que é a a doença de Alzheimer?

A Doença de Alzheimer (DA) é uma doença do cérebro que afeta inicialmente a memória, o raciocínio e a comunicação das pessoas. Esta doença é a causa mais comum de demência, um termo geral para o prejuízo progressivo da função mental. Desde o início do século é sabido que a Doença de Alzheimer está ligada a duas categorias de lesões cerebrais: Placas Senis (formadas a partir da deposição de uma proteína que tem efeitos tóxicos sobre os neurônios) e microtúbulos - verdadeiros nós nas estruturas essenciais dos neurônios.

 

Epidemiologia

A Doença de Alzheimer acomete cerca de 15 milhões de pessoas em todo o mundo e é responsável por 50 a 60% do número total dos casos de demência entre os indivíduos com idade superior a 65 anos. Entre os indivíduos com idade superior a 90 anos, a prevalência desta desordem neurodegenerativa chega a 39% da população.

 

Sinais e sintomas

A DA é progressiva e seu desenvolvimento é lento e contínuo - entre 2 e 10 anos em média. Exatamente por ser uma doença de evolução progressiva, ela é classificada em 3 fases – leve, moderada ou grave:

 

Fase leve:

Dificuldade ao resolver contas simples, anomia, repetiçao de ideias e dificuldade para compreender metáforas e anedotas.

 

Fase moderada:

Anomia acentuada, vocabulário restrito, descuidos com higiene e/ou alimentação, confusão.

 

Fase grave:

Anomia severa comprometendo a comunicação, compreensão auditiva prejudicada, incapacidade de localização, e de lembrar-se de coisas simples: comer, satisfazer necessidades fisiológicas.

 

Diagnóstico

O que torna difícil o diagnóstico baseado no quadro clínico é que os sintomas não são exclusivos da DA. São eles: prejuízo da memória, na linguagem e na capacidade cognitiva, laborativa e social. Os métodos de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética) não fazem diagnóstico de demência do tipo Alzheimer, e desta forma, a confirmação da Doença de Alzheimer só pode ser atestada por necropsia - na maioria dos casos (85 a 90% dos casos).

 

Tratamento

Até recentemente não existia tratamento específico para a DA, até que dois inibidores da acetilcolinesterase – donezepil e tacrini – se mostraram eficazes nos estágios iniciais da doença. Infelizmente, o efeito é clinicamente modesto, ambos são caros e nenhum deles retarda a progressão da doença e a duração da resposta é desconhecida (Resnick, 2001). Os objetivos do tratamento são apenas de controlar os sintomas mais incômodos.

 

Implicações nutricionais

À medida que a DA progride, o paciente torna-se incapaz de alimentar-se independentemente. Recomendações nutricionais aos cuidadores: minimizar as distrações durante as refeições, facilitar as refeições, incrementar a apresentação das preparações com cores e formas, evitar temperos fortes ou molhos picantes, supervisionar as refeições e certificar-se de que o paciente esteja saciado. (Frank, 2004).

 

Patologias associadas

Disfagia (dificuldade na deglutição), pneumonia por aspiração, desnutrição protéico-calórica dentre outras...

 

Hipertensão arterial

 

O que é a hipertensão arterial?

De um modo geral, define-se hipertensão como a pressão sistólica (máxima) igual ou superior a 140 mmHg ou a pressão diastólica (mínima) igual ou superior a 90 mmHg, ou ambas, em medidas freqüentes. O ideal é mantermos a pressão arterial máxima em 120 mmhg e a mínima em 80 mmHg.

 

Sinais e sintomas

Os sintomas da hipertensão costumam aparecer somente quando a pressão sobe muito, podendo ocorrer dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal. A maioria das pessoas não se queixa de nada, por isso chamamos a pressão alta de "assassina silenciosa".

 

Diagnóstico

Apenas um médico pode diagnosticar a hipertensão, através de medidas freqüentes da pressão arterial. Para a correta averiguação da pressão, a pessoa precisa estar em um ambiente calmo e silencioso e ter repousado por 5 minutos.

 

Complicações

O aumento da pressão arterial faz com que ocorram danos às artérias. Como qualquer artéria do corpo pode ser obstruída todos os órgãos podem sofrer alterações decorrentes da hipertensão, sendo mais freqüentes problemas no coração, no cérebro, rins e olhos. Quando associada ao fumo, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e stress, as complicações serão mais precoces e graves.

 

Tratamento

A hipertensão arterial não tem cura, mas pode ser controlada. Somente o médico poderá determinar o melhor método de tratamento, mas é imprescindível adotar um estilo de vida saudável, mantendo o peso adequado e abandonando hábitos alimentares inadequados.

 

Tratamento nutricional

Controlar o peso. Reduzir o consumo de sal, de alimentos industrializados, enlatados, conservas, embutidos e queijos salgados. Alimentos ricos em gorduras de fonte animal devem ser substituídos por óleos vegetais. O consumo de fibras e alimentos ricos em potássio (laranja, banana, melão, manga, feijão, tomate, cenoura, ervilhas, batata, etc.), favorece o controle da pressão arterial.

 

Prevenção

Manter o peso normal, praticar regularmente exercícios físicos, consumir sal e álcool moderadamente, não fumar e reduzir o consumo de alimentos gordurosos.

 

Insuficiência renal

 

O que é a insuficiência renal?

A insuficiência renal é caracterizada pela incapacidade do rim em executar suas funções e pode ser aguda ou crônica.

 

Insuficiência Renal Aguda (IRA)

Em alguns pacientes com doenças graves (como lúpus, câncer de bexiga, glomerulonefrite, infecções graves) os rins podem parar de funcionar de maneira rápida, porém temporária. Desidratação, colapso circulatório (causado por traumas) e abuso de drogas ou medicamentos também podem desencadear IRA.

 

Insuficiência Renal Crônica (IRC)

Perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais. Por ser lenta e progressiva, esta perda resulta em processos adaptativos do rim que, até certo ponto, mantêm o paciente sem os sintomas da doença. Até que tenham perdido cerca de 50% de sua função renal, os indivíduos permanecem quase sempre sem sintomas. Até que a função renal seja reduzida à 10 ou 12% pode-se aplicar terapia exclusivamente medicamentosa, a partir desse ponto torna-se necessário o uso de outros métodos de tratamento da insuficiência renal (diálise ou transplante renal).

 

Sinais e sintomas

Quando os rins não funcionam apropriadamente, toxinas se acumulam no sangue, resultando, em longo prazo, numa condição muito séria conhecida como uremia. Os sintomas náuseas e vômitos, hálito cetônico, debilidade, fadiga, desorientação, dispnéia e edema nos braços e pernas. Outras manifestações de mau funcionamento renal incluem urina escura ou mais clara e sanguinolenta, dor, sensação de queimação ao urinar, poliúria dentre outros.

 

Diagnóstico

Apenas o médico é capaz de avaliar a função renal de uma pessoa e diagnosticá-la. Algumas toxinas no sangue podem ser utilizadas para avaliar a gravidade do quadro como a uréia e a creatinina. Quanto mais elevado os níveis de uréia e creatinina, mais grave será o quadro do paciente.

 

Complicações

A insuficiência renal crônica geralmente piora independentemente do tratamento e, quando não tratada, pode ser fatal. A principal complicação é exatamente a falência do rim. Estas alterações metabólicas podem levar à insuficiência cardíaca e aumentar o risco de AVC. Hipertensão, anemia e deformidades ósseas podem surgir em decorrência do prejuízo da função renal.

 

Tratamento

Pacientes com Insuficiência Renal Aguda precisam primeiramente tratar a doença de base, normalmente sendo submetidos à diálise durante o período de recuperação dos rins (cerca de 3 semanas após o tratamento da doença de base). O tratamento da IRC requer diálise (peritonial ou hemodiálise) ou transplante de rim e o cuidado nutricional é realizado com o objetivo de prevenir a falência do órgão.

 

Prevenção

A insuficiência renal pode ser evitada quando praticamos ações de prevenção contra o diabetes e a hipertensão – que podem evoluir para a falência renal – como manter o peso adequado, praticar exercícios físicos e ter uma alimentação equilibrada. O consumo excessivo de alimentos ricos em proteínas também causa desgaste dos rins.

 

Carências nutricionais

 

O que são carências nutricionais?

Carências Nutricionais são definidas como situações em que a ausência de consumo, ou o consumo em quantidades insuficientes, de um ou mais nutrientes resultam na instalação processos orgânicos adversos (prejudiciais) para a saúde.

 

 

Anemia Ferropriva

 

O que é a anemia?

 

Anemia é um agravo à saúde definido pela OMS como uma condição em que a quantidade de hemoglobina no sangue está abaixo do normal, como resultado da carência de algum nutriente ou de hemorragias.

 

Fatores de risco

 

Baixo consumo de alimentos fontes de ferro, abandono precoce do aleitamento materno, gravidez múltipla (gêmeos), alimentação materna insuficiente durante a gestação, infecções parasitárias, comprometimento da capacidade de absorção intestinal, baixo nível socioeconômico, condições precárias de saneamento e dificuldade de acesso aos serviços de saúde pública.

 

Grupos de risco

 

Gestantes, lactantes (mulheres que amamentam), crianças (0 – 6 anos), mulheres em período reprodutivo (que menstruam), idosos e adolescentes. Bebês que são amamentados correm menos risco de desenvolver deficiência de ferro. Vegetarianos devem ser acompanhadas por um nutricionista ou médico.

 

Sinais e sintomas

 

Os sintomas surgem em longo prazo e incluem: fadiga, crianças com dificuldade de aprendizagem e apáticas, falta de apetite, palidez das mucosas (gengivas e olhos), unhas finas e achatadas.

 

Diagnóstico

 

A anemia ferropriva é diagnosticada através de exame de sangue (hemograma), a partir da avaliação dos níveis e características da hemoglobina.

 

Conseqüências e complicações

 

Em crianças, a anemia ferropriva pode causar retardo no crescimento e perda na capacidade cognitiva, comprometendo o desenvolvimento da inteligência e as funções imunológicas. Gestantes anêmicas dão à luz a bebês com baixo peso e têm risco aumentado de morrer durante o parto.

 

Tratamento da Anemia

 

Para uma resposta imediata, o tratamento é realizado através da administração de sais de ferro (sulfato ferroso), preferencialmente por via oral e juntamente com uma fonte de Vit. C (suco de laranja).

 

 

Hipovitaminose A

 

O que é a hipovitaminose A?

É definida como baixa disponibilidade de Vitamina A nos depósitos hepáticos (no fígado) e níveis diminuídos no sangue e é considerada um grave problema de saúde pública. A vitamina A é essencial ao crescimento e desenvolvimento do ser humano e atua na manutenção da visão, no funcionamento do sistema imunológico, mantém saudáveis a pele e as mucosas além de possuir funções antioxidantes.

 

Fatores de risco

 

Alimentação pobre em vegetais e frutas, falta de amamentação ou desmame precoce, baixo consumo de alimentos que contêm gorduras, infecções freqüentes, síndrome de má absorção de gorduras, baixo nível socioeconômico.

 

Grupos de risco

 

Gestantes e lactantes, recém-nascidos, crianças em fase escolar, idosos e pessoas com síndromes de má absorção.

 

Sinais e sintomas

 

A deficiência começa sem sintomas aparentes até que os níveis sangüíneos de Vit A atinjam valores inferiores a 30mg/dL. A manifestação clínica mais precoce é a visão cegueira noturna. A xeroftalmia (olho seco) pode agravar-se, atacando a conjuntiva e a córnea. Pele seca, fadiga e infecções persistentes também podem ser sinais de carência de vitamina A.

 

Conseqüências e complicações

 

A xeroftalmia e cegueira noturna são reversíveis, no entanto, as ulcerações na córnea podem levar à cegueira irreversível e à perda do olho. A hipovitaminose A é a maior causa de cegueira em todo o mundo. O sistema imunológico pode ficar muito prejudicado, aumentando o número de mortes e de casos graves de infecção em crianças.

 

Tratamento

 

A suplementação com 2 mega-doses de Vit. A (injeção intramuscular de palmitato de retinil) é indicada para uma resposta imediata. O tratamento deve seguir com o planejamento alimentar rico em fontes de Vit. A e o consumo de alimentos fortificados.

 

 

Distúrbios por Deficiência de Iodo

 

Informações sobre o iodo

 

O iodo é utilizado pela glândula tireóide para a produção de hormônios (T3 e T4) que regulam o metabolismo celular, o crescimento físico e a maturação das células nervosas, sendo importantes para o funcionamento de vários órgãos (coração, fígado, rins, cérebro, etc...).

 

Fatores de risco da deficiência de iodo

 

O baixo consumo de sal iodado é o principal fator risco para o desenvolvimento de DDIs. Ao preparar temperos caseiros, deve-se acrescentar sal iodado. Alimentos bociogênicos crus (mandioca, repolho, nabo, amendoim e soja) prejudicam a absorção e utilização do iodo pelas células da tireóide.

 

Grupos de risco

 

Gestantes, fetos em formação e crianças até 5 anos. Pessoas que vivem em regiões montanhosas, de bacias sedimentares e nos bolsões de miséria também fazem parte do grupo de risco.

 

Sinais e sintomas

 

A deficiência de iodo, normalmente, demora a se manifestar. O bócio e o hipotireoidismo surgem apenas quando a carência é grave e crônica. Nas crianças, os primeiros sintomas incluem atraso no crescimento e dificuldade de aprendizagem.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico de deficiência de iodo pode ser dado a partir da medição de iodo excretado na urina.

 

Conseqüências e complicações

 

Fetos ou recém-nascidos com deficiência de iodo podem desenvolver o cretinismo – síndrome caracterizada por retardo mental grave, surdez, mudez e alterações na estrutura corporal. Existem variações menos graves desta síndrome, que se manifestam como retardo moderado na maturação intelectual.

 

Tratamento

 

O hipotireoidismo é tratado com a administração por via oral de formas sintéticas dos hormônios T3 e T4. No entanto, os danos cerebrais e ósseos causados pela deficiência são irreversíveis.

 

Tabela de Avaliação da Quantidade de Iodo no Sal Brasileiro

 

Tipo

Marca

Classificação

 

Refinado

Diana

Muito bom

Bio Sal

Muito bom

 

Refinado Extra

Cisne

Muito bom

Ita

Ruim

Lebre

Muito ruim

Sal Light

Muito bom

 

Grosso

Diana

Muito bom

Cisne

Bom

Bio Sal

Muito ruim

Arisco

Muito ruim

 

Comum Moído

Mais Vida

Ruim

Natus

Muito ruim

 

Fonte: IDEC (instituto de Defesa do Consumidor), 1996.

 

 

Desnutrição

 

O que é a desnutrição?

 

A desnutrição é uma doença de natureza clínico-social, caracterizada por consumo energético e protéico em quantidades insuficientes para o funcionamento do organismo e cujo principal determinante é a pobreza.

 

Causa primária da desnutrição

 

Uma alimentação quantitativa e qualitativamente insuficiente em calorias e nutrientes. Entre as causas secundárias, podemos citar verminoses, câncer, anorexia, distúrbios na digestão ou absorção e alergias ou intolerâncias alimentares.

 

Fatores de risco

 

Desmame precoce, fatores socioeconômicos (baixa renda, falta de saneamento básico e de acesso aos alimentos) e fatores culturais (hábitos e tabus alimentares).

 

Grupos de risco

 

Crianças até 5 anos, gestantes e lactantes, idosos, pessoas que vivem em bolsões de pobreza dos centros urbanos e pacientes com doenças espoliativas.

 

Sinais e sintomas

 

A Desnutrição Protéico Calórica é caracterizada por presença de anasarca, despigmentação dos cabelos, redução da massa muscular, fraqueza, alterações neurológicas, retardo no crescimento de crianças e redução na concentração de proteínas viscerais. Já a desnutrição por carência de energia ou calorias (marasmo) é caracterizada por acentuada perda de peso, fadiga e letargia, com relativa preservação dos níveis sangüíneos das proteínas viscerais.

 

Diagnóstico

 

A desnutrição é diagnosticada através da análise de parâmetros bioquímicos (exames laboratoriais), antropométricos (peso, altura, medição de pregas cutâneas, etc...) e clínicos (sinais físicos – edema, magreza, cabelos secos, olhos sem brilho, unhas finas, infecções, etc...). A medida do IMC (Índice de Massa Corporal – dada pela relação entre a altura e o peso de uma pessoa) é o padrão mais usado na avaliação do estado nutricional:

         IMC = Peso (Kg) / Altura2 (m)

 

Classificação e riscos de doenças associadas, segundo IMC (Kg/m²)

 

Classificação

IMC (Kg/m²)

Risco de co-morbidades

 

Magreza 3

<16,0

Alto

Magreza 2

16,0 a 16,9

Aumentado

Magreza 1

17,0 a 18,4

Baixo

Eutrofia

18,5 a 24,0

Sem riscos

Sobrepeso

24,1 a 25,0

Baixo

Pré-obesidade

25,1 a 29,9

Médio

Obesidade 1

30,0 a 34,9

Aumentado

Obesidade 2

35,0 a 39,9

Alto

Obesidade 3

> 40

Muito alto

 

Adaptado de: OMS - 1995.

 

Conseqüências e complicações

 

A desnutrição leva a uma série de alterações em todo o organismo, tanto em sua composição quanto em seu funcionamento, tornando-o mais frágil e suscetível ao desenvolvimento de doenças oportunistas associadas à carência nutricional. Quanto maior o tempo de privação de alimentos, mais grave se torna o quadro e mais difícil fica reverter os danos. Crianças desnutridas têm o seu desenvolvimento físico e neurológico irreversivelmente prejudicado.

 

Tratamento

 

O primeiro passo é a recuperação do estado nutricional do paciente, através da oferta de uma dieta hipercalórica e hiperprotéica, e o tratamento das doenças associadas à carência alimentar. Em médio prazo, o uso de suplementos energéticos, um planejamento alimentar adequado e ações de educação nutricional.

 

Distúrbios intestinais

 

Distúrbios intestinais comuns

 

Os distúrbios intestinais de que os pacientes mais se queixam em consultórios de nutrição são a constipação intestinal e a diarréia. Apesar de serem facilmente contornáveis, a constipação pode causar muitos desconfortos e a diarréia sem tratamento pode se complicar para um quadro bastante grave.

 

Constipação Intestinal

 

A constipação (“intestino preso” ou "prisão de ventre") é uma condição na qual pequena quantidade de fezes é eliminada. As fezes podem encontrar-se endurecidas, causando dor e dificuldade de passagem pelo canal retal. A "prisão de ventre" ou sensação de evacuação incompleta também é uma das queixas das pessoas que sofrem constipação. Dentre as causas de constipação intestinal, podemos citar a baixa ingestão de água e de alimentos fontes de fibras, o estresse ou ansiedade, etc...

 

Conseqüências e complicações

 

As complicações orgânicas podem se manifestar desde dores de cabeça ou dor abdominal crônica recorrente, até manifestações mais graves, como infecções do trato urinário, incontinência fecal, sangramento retal, diverticulose, hemorróidas, fissura anal e câncer de cólon.

 

Tratamento

 

Caso a constipação seja secundária a alguma patologia, o primeiro passo é a investigação e remoção da causa. Como cerca de 90% dos casos é decorrente de uma alimentação pobre em fibras, o tratamento nutricional deve ser realizado com o objetivo de corrigir esta deficiência. A ingestão de líquidos também é importante. Quando a constipação é resistente (crônica), pode ser necessário o uso de laxantes, de amaciadores de fezes ou lavagens intestinais.

 

Diarréia

 

O que é a diarréia?

 

A diarréia é definida como uma anormalidade no volume e na liquidez das fezes, sendo caracterizada por evacuações freqüentes de fezes líquidas ou amolecidas, acompanhadas de uma excessiva perda de líquidos e eletrólitos (principalmente sódio e potássio).

 

Diarréia osmótica

 

Causada pela presença de solutos osmoticamente ativos que são pouco absorvidos, como a diarréia causada pela ingestão de lactose em pessoas que sofrem deficiência de lactase. Normalmente, esta forma de diarréia pode ser aliviada com o jejum.

 

Diarréia secretória

 

Acontece como resultado da secreção ativa de eletrólitos e água no intestino, normalmente causada pela presença de toxinas bacterianas, vírus ou secreção hormonal intestinal aumentada. Esta forma de diarréia não pode ser aliviada pelo jejum.

 

Diarréia exsudativa

 

Associada às lesões na mucosa intestinal, que levam ao extravasamento de muco, proteínas plasmáticas e sangue, causando acúmulo de líquidos e de eletrólitos no intestino. Pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para reverter o quadro desta forma de diarréia.

 

Diarréia de contato mucoso limitado

 

Resulta de condições inadequadas da mistura do quimo ou da exposição reduzida do quimo ao epitélio intestinal, seja por destruição ou por diminuição na mucosa, como acontece em casos de ressecção (retirada) de parte do intestino.

 

Complicações

 

A principal complicação da diarréia é a desidratação (perda acentuada de água e sais minerais). Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com facilidade.

 

Tratamento

 

Como a diarréia persistente, em geral, é uma disfunção ou o sintoma provocado por alguma patologia, a prioridade do tratamento clínico é remover a causa. O primeiro passo é a reposição de líquidos e eletrólitos, através do aumento da ingestão de água e da oferta de solução de reidratação oral ou soro caseiro.

 

Receita de soro caseiro

   1L de água
   3,5g de sal
   2,5g de bicarbonato de sódio
   1,5g de cloreto de potássio
   20g de glicose

 

Receita de soro caseiro(simples)

   1 copo d’água de 200 mL (americano)
   1 colher de sopa de açúcar
   1 pitada de sal
   1 pitada de bicarbonato.

Chás de camomila, erva-doce e hortelã podem ajudar a favorecer a digestão e aliviar cólicas intestinais. Caso a diarréia seja causada por deficiência de lactase, é necessário um planejamento alimentar restrito em alimentos dos grupos dos leites.

 

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