lactobacilos

Lactobacillus sake: 1.2 microns

Aproximadamente 500 espécies diferentes de bactérias podem ser encontradas ao longo do tubo digestivo, sendo que a maior parte delas está concentrada no intestino grosso (cólon), onde o número de células bacterianas pode chegar aos trilhões [8]. A flora bacteriana é considerada equilibrada e saudável quando há predominância de lactobacilos e bifidobactérias. Aproximadamente aos 2 anos de idade, a nossa flora intestinal já está estabelecida, e irá manter-se estável por toda a vida [5,6]. O aleitamento materno é muito importante, pois determinadas espécies de lactobacilos são encontradas no leite humano, e crianças que amamentam exclusivamente no peito apresentam quantidades de lactobacilos e de bifidobactérias superiores às quantidades dessas bactérias encontradas nas fezes de crianças alimentadas com a associação entre leite materno e fórmulas.

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Em algumas situações, como em casos de estresse, tratamentos com antibióticos ou infecções bacterianas, o numero de colônias de lactobacilos no cólon diminui, comprometendo o equilíbrio da microbiota intestinal e, por consequência, nossa saúde. Quando isso ocorre, o consumo de alimentos enriquecidos com bactérias vivas dos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium, e, em menor escala, Enterococcus - os chamados Probióticos - pode ser bastante útil para reestabelecer a microflora [2,8]. Os probióticos também são indicados para o tratamento de diarreias, intolerância à lactose, doença inflamatória intestinal aguda ou crônica (colite ulcerativa), síndrome do intestino irritável, dislipidemias, dermatite atópica, constipação intestinal e gastrites provocadas por Helicobacter pylori [1,3,5]. Recentemente, alguns estudos têm demonstrado que o consumo de probióticos pode colaborar na prevenção do câncer e de alergias de origem alimentar [3,8].

 

O mecanismo de ação dos probióticos ainda não foi completamente elucidado. Mas, sabe-se que é necessário que as bactérias estejam vivas quando consumidas e permaneçam viáveis após entrarem em contato com o suco gástrico, as enzimas digestivas e a bile, para que possam aderir à mucosa intestinal e competir com os microrganismos patogênicos, promovendo sua ação de modo eficaz [2,8].

 

Dentre os produtos enriquecidos com lactobacilos disponíveis no mercado, podemos encontrar fórmulas infantis de leite em pó, preparações farmacêuticas (também em pó, para serem diluídas em qualquer bebida) e laticínios (iogurtes e leites fermentados) - esses últimos, de longe, os mais populares nas prateleiras, como Chamyto e Yakult. Para assegurar a eficácia do probiótico, a concentração de células de lactobacilos, ou Unidades Formadoras de Colônia (UFC), no produto deve ser de no mínimo 10 8 UFC/mL [3]. O consumo de um frasco de 80 mL de Yakult, que contém 2 x 10 9 UFC/mL, por dia é o suficiente para sentir os efeitos benéficos dos lactobacilos no seu organismo.

 

Atenção! Algumas pessoas podem experimentar desconfortos abdominais, aumento na produção de gases ou diarreia após o início do consumo de alimentos contendo lactobacilos. Esses sintomas estão relacionados com a morte de bactérias patogênicas no intestino e, frequentemente, desaparecem com a persistência no uso do probiótico. Pacientes em estado extremamente debilitado, por exemplo, pessoas internadas em Centros de Terapia Intensiva (CTI), devem evitar o consumo de probióticos, pois há risco de complicações severas como translocação bacteriana e bacteremia [1].

O que são os Lactobacilos?

 

Os lactobacilos, ou Lactobacillus, são um gênero de bactérias gram-positivas com formato de bastonete (cilíndrico) e que não produzem esporos, isolados pela primeira vez em 1900, das fezes de bebês alimentados com leite materno, pelo pediatra austríaco Ernest Moro.

 

O gênero Lactobacillus compreende 56 espécies capazes de fermentar carboidratos (açúcares) para produzir ácido lático – razão pela qual é muito usado na produção de alimentos – e é encontrado na flora bacteriana de todo o trato gastrintestinal e geniturinário de homens e animais. A espécie mais comum, e primeira a ser estudada, é o Lactobacillus acidophilus [1,3,4,8].

 

Junto com as bifidobactérias, os lactobacilos começam a colonizar nossos intestinos nos primeiros dias de vida, e lá vão desempenhar funções benéficas ao organismo, como produção e absorção de nutrientes essenciais, estímulo e regulação do sistema imunológico, bem como a manutenção da integridade

da mucosa intestinal e degradação de fibras insolúveis, além de prevenir a proliferação de microrganismos patogênicos. Interações bacterianas, ph (acidez), disponibilidade de nutrientes complexos e presença de CO2 podem afetar a multiplicação dos lactobacilos [1,4,2].

Referências

 

[1] ZACHARIAS, Maria Candida Junqueira. Uso de probióticos no paciente com doença inflamatória intestinal e recuperação da flora intestinal. Monografia apresentada ao Curso de Pós- Graduação Lato Sensu do 36º. Curso GANEP de Especialização em Terapia Nutricional e Nutrição Clínica. São Paulo, 2011. Acessado em http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgJNgAG/uso-probioticos-no-paciente-com-doenca-inflamatoria-intestinal-recuperacao-flora-intestinal (18/02/2014).

 

[2] NOGUEIRA. Janaína Cândida Rodrigues; GONÇALVES, Maria da Conceição Rodrigues. Probióticos - revisão da literatura. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, n° 4, vol. 15, 2011, p. 487-492.

 

[3] GOMES, Ana M. P.; MALCATA, F. Xavier. Agentes probióticos em alimentos: aspectos fisiológicos e terapêuticos, e aplicações tecnológicas. Boletim da Sociedade Portuguesa de Biotecnologia, n° 64, Dezembro/1999, p. 12-22.

 

[4] FRANCO, Bernadette D. G. de Melo; LANDGRAF, Mariza. Microbiologia dos alimentos. Editora Atheneu. São Paulo, 2004. 182p.

 

[5] FURRIE E. Probiotics and allergy. Proc Nutr Soc. 64(4):465-469, 2005.

 

[6] RINNE, Minna et al. Effect of probióticos and breastfeeding on the Bifidobacterium and Lactobacillus/Enterococcus microbiota and humoral immune responses. The Journal of Pediatrics, v. 147, n° 2, 186-191. August, 2005.

 

[7]MARTÍN, Rocío et al. Human milk is a source of lactic acid bacteria for the infant gut. The Journal of Pediatrics, v. 143, 754-758. December, 2003.

 

[8] BADARÓ, Andréa Cátia Leal et al. Alimentos probióticos: aplicações como promotores da saúde humana – parte 1. Nutrir Gerais – Revista Digital de Nutrição. Ipatinga: Unileste-MG, V. 2, N. 3, Ago./Dez. 2008. Acessado em : (18/02/1014).

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