fitoterapia

 

Veja abaixo as 66 plantas medicinais validadas pela ANVISA e aprenda a usar a Fitoterapia da maneira adequada, pois a parte utilizada da planta (folhas, flores, raízes, etc), o modo de preparo (infusão, decocção, etc) e as dosagens (sempre considerando o extrato seco das plantas) devem ser rigorosamente seguidos para que se possa obter um resultado efetivo do medicamento fitoterápico.

A Fitoterapia (phito, do grego = planta) é a ciência que estuda a utilização de medicamentos à base de plantas para o tratamento das doenças, levando em consideração as propriedades bioquímicas, físicas e botânicas dos vegetais, bem como suas aplicações e efeitos no corpo humano. Os medicamentos produzidos exclusivamente com matérias primas vegetais são chamados de fitoterápicos ou drogas vegetais.

 

Desde seus primórdios, a humanidade vem observando a aplicação das plantas como medicamentos – esta prática constitui a Medicina Tradicional de uma civilização. Todas as civilizações deram suas contribuições a este imenso estudo, que até o século XX foi baseado apenas na observação – cada geração era responsável por transmitir aos seus descendentes os conhecimentos acumulados sobre as experiências utilizando plantas. No Brasil, a Medicina Popular descende principalmente dos indígenas nativos, tendo nos “raizeiros” uma fonte de consulta acerca da aplicabilidade das plantas medicinais.

 

Na década de 70, após estudos em animais que confirmaram o potencial carcinogênico do confrei, governos e pesquisadores se uniram na busca de definições de doses, riscos e métodos de administração dos fitoterápicos, a fim de evitar que o uso indiscriminado destas substâncias causasse mais mal do que bem à saúde das pessoas. Assim, surgiu a necessidade da Validação das plantas medicinais através de rigorosos procedimentos desde a coleta dos vegetais, passando pelos processos de extração dos princípios ativos, até testes biológicos (com animais e humanos) que confirmem a eficácia dos medicamentos e apontem possíveis efeitos colaterais.

 

A flora brasileira é inegavelmente riquíssima em fontes de fitoterápicos, especialmente devido à sua diversidade. A utilização de ervas, chás, extratos e outros produtos terapêuticos vegetais faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros e carecia (há muito) de uma legislação mais eficiente e esclarecedora. Vindo ao encontro desta necessidade, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou em 10/03/2010 a Resolução RDC Nº 10, regulando a produção, distribuição e uso das drogas vegetais comercializadas no Brasil. Além de especificar os métodos de validação dos fitoterápicos e de padronizar as embalagens e bulas dos medicamentos, a RDC Nº 10 conta com a listagem das 66 plantas medicinais validadas no país e a maneira correta de usar cada uma destas plantas para o tratamento ou prevenção das doenças, bem como contra-indicações e efeitos adversos.

 

Leia na íntegra a RESOLUÇÃO-RDC No- 10, DE 9 DE MARÇO DE 2010 no Diário Oficial da União.

 

Modos de Preparo de Plantas Medicinais

 

As plantas podem ser usadas para o tratamento de diversas enfermidades e também como coadjuvantes de medicamentos alopáticos, com a finalidade de reduzir efeitos colaterais, por exemplo. Mas é preciso prestar atenção a alguns cuidados na hora de preparar seu fitoterápico em casa, pois aqueles chás em saquinho que a gente compra no supermercado não são fitoterápicos – eles até podem servir como calmantes bem levinhos (erva cidreira, melissa) ou digestivos muitas vezes eficazes (camomila, hortelã), mas não são considerados medicamentos.

Além da quantidade da planta que deve ser usada para obter-se o efeito esperado (dose), a seleção das partes da planta que contêm o princípio ativo (folhas, flores, raízes, etc.) e os modos de preparo (infusão, decocção, maceração, etc.) e consumo (via oral ou uso tópico) do fitoterápico também precisam ser levados em consideração. As plantas devem ser usadas secas (desidratadas) e, se você for guardá-las em casa, use recipientes de vidro ou porcelana que possam ser tampados.

No preparo dos chás, infusões, tinturas, e outros, as quantidades da planta a ser usada devem ser rigorosamente respeitadas. Você pode usar a tabela de equivalência abaixo, que é bem simples:

Medida Caseira

Qtde. equivalente

1 colher de café

2 g

1 colher de sopa

5 g

1 xícara de café

50 ml

1 xícara de chá

200 ml

Maceração

Técnica usada para qualquer parte da planta, e não vai ao fogo. Misture as plantas com água, vinho, óleo ou vinagre e aguarde certo tempo, que pode ser de algumas horas a várias semanas dependendo do diluente usado. Depois deste período em repouso, a mistura pode ser coada e usada. Para preparar a maceração com água, coloque de molho as partes desejadas (por até 24 horas, no caso de raízes) ou esprema folhas frescas ou secas com um socador de madeira ou vidro e adicione pouca quantidade de água filtrada. A maceração com água não deve ser tomada depois de 12 horas, devido à formação de bactérias.

Infusão

Técnica usada para preparar as partes macias das plantas, como flores, folhas ou frutos. Coloque água fria em um recipiente e leve ao fogo até ferver. Desligue o fogo e mergulhe as partes da planta (seca), na quantidade determinada. Tampe e deixe abafado durante 5 a 10 minutos. Agora é só coar e usar. Evite usar vasilhames de alumínio (liberam partículas prejudiciais à saúde) e consuma imediatamente após o preparo.

 

Decocção (Cozimento)

Técnica usada para extrair da planta o princípio ativo amargo ou sal mineral, normalmente usando as partes mais duras dos vegetais, como raízes, cascas, talos ou sementes. Coloque as partes (lavadas) da planta em uma panela, acrescente água fria e leve ao fogo até ferver, mantendo o cozimento durante 15 a 30 minutos (dependendo da dureza da planta). Desligue o fogo e mantenha a panela tampada por mais alguns minutos. Coe e está pronto para o uso.

 

Formas básicas de preparo

 

Chá

Técnica preferencialmente usada para o preparo de folhas grossas, raízes ou cascas. Coloque a planta seca em um recipiente de barro, louça ou cobre (preferencialmente), acrescente água fria e leve ao fogo até ferver, mantendo o cozimento por 8 minutos no máximo. Apague o fogo e deixe tampado por 10 minutos. Em seguida, coe e está pronto para o uso. Para cada 1 L de água coloque 4 colheres de sopa de ervas frescas ou 2 colheres de sopa de ervas secas. Consuma imediatamente após o preparo.

Ungüento

Técnica usada para plantas frescas, muito indicado em casos de contusão, torção, luxação e dor muscular. Triture a planta fresca em um potinho até extrair dela um líquido escuro. Misture esse líquido com um pouco de óleo vegetal e adicione um pouco de cera de abelhas, para dar uma consistência mais pastosa. Leve ao fogo baixo e mexa até derreter e obter uma mistura homogênea. Retire do fogo, espere esfriar um pouco e aplique no local afetado.

 

Pomada

Escolha a planta (seca) a ser utilizada no preparo da pomada. Pique-a e pulverize-a como na receita para o preparo da Tintura. Em uma panela (de preferência usada somente para este fim), coloque 50 ml de óleo vegetal de boa qualidade (gergelim, amêndoa ou uva) e 1 colher de chá de óleo de germe de trigo. Acrescente 1 colher de sopa de cera de abelhas, ralada. Leve ao fogo muito baixo ou banho-maria e mexa até derreter a cera (2 a 3 minutos). Deixe esfriar um pouco e junte 1 colher de sopa do vegetal pulverizado. Se a pomada ficar muito dura, aumente a quantidade de óleo. Se ficar mole, é por que a cera foi pouca. Quando estiver fria, acondicione em latinhas ou potinhos para creme.

Xarope

É uma infusão concentrada, que se caracteriza como bebida concentrada padrão. Geralmente são usados 250g de ervas para 360 ml de água fervente. Pode ser obtido também por decocção ou maceração, e misturado com mel para o consumo e estoque.

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Referências

TORRES, Carlos. Ervas: Sabor & Saúde. Ed Ondas.

 

Fonte: Formas Básicas de Preparo das Plantas Medicinais. Universidade On-line de Viçosa. Disponível em: http://www.uov.com.br/biblioteca/324/formas_basicas_de_preparo_das_plantas_medicinais.html

Tintura

Técnica usada quando não é possível extrair os princípios ativos da planta por meio de infusão ou decocção. A extração dos princípios ativos da planta é feita por meio de solventes (álcool de cereais, vodca, vinagre, glicerina, etc.). Por ser um preparado muito concentrado, nunca deve ser usado diretamente sobre a pele. Triture a planta (seca) em um potinho e use um almofariz ou moinho de café para esmagá-la, até pulverizar completamente. Coloque em um vidro escuro e cubra com a solução alcoólica. Este vidro deve ser agitado durante 15 dias consecutivos. Após esse período, coe bem a solução, acondicione em um vidro escuro, feche bem e guarde ao abrigo da luz.

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