Na realidade, o nome baiacu se aplica a várias espécies de peixes da classe dos Tetraodontiformes. O termo abrange cerca de 150 espécies que possuem a habilidade de inflar o corpo (foto abaixo) quando ameaçados. Na culinária Japonesa o baiacu, conhecido pelo nome de fugu, é muito apreciado. Mas, a preparação do prato deve ser feita por um chef especializado, ou o cliente corre o risco de morrer envenenado por tetrodotoxina, o que, de fato, ocorre com certa frequência em restaurantes que servem esta iguaria. (Tem maluco para tudo!)

A Tetrodotoxina, um dos mais potentes venenos conhecidos, é uma substância neurotóxica 1.200 vezes mais letal do que o cianeto. Uma dose de dois gramas pode levar um ser humano adulto à morte. O indivíduo, embora totalmente paralisado, permanece lúcido até o óbito, que pode ocorrer de 4 a 6 horas depois do contato, podendo variar de 20 minutos a 8 horas.

 

Uma curiosidade a respeito desse peixe é seu emprego em cultos religiosos. De acordo com as tradições vodu, feiticeiros chamados Bokor , por séculos, usaram o veneno do baiacu em um preparado em forma de pó, nos rituais de "zumbificação". Eles afirmam que partes do peixe aquecidas, junto a outras substâncias, tornam o veneno menos letal, mas, ainda assim, permitindo que ele conserve sua eficácia para induzir as vítimas à um estado similar ao da morte. Depois de algum tempo, o efeito da droga passa e a pessoa "revive", como um zumbi! Já pensou?

Crenças religiosas à parte, o consumo de baiacu não é recomendado em nenhuma circunstância. Não há procedimentos seguros aprovados para manipulação deste peixe e, portanto, sua ingestão deve ser evitada. E, que fique bem claro: não temos a receita para o preparado vodu de "zumbificação"!

Baiacu - o peixe venenoso

Baiacu inflado - a estratégia de defesa mais comum

 

 

 

 

 

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O mundo é pleno em biodiversidade. Mesmo os lugares mais inóspitos do planeta, como as profundezas dos oceanos ou as crateras vulcânicas, estão fervilhando com uma ampla variedade de vida. Mas, não se deixe enganar por esta suposta abundância! Mesmo sob as condições mais favoráveis, a vida não floresce facilmente. Todos os seres vivos, dos mais engenhosos aos mais elusivos, têm que reafirmar, diariamente, seu direito ao dom supremo: a vida. Nesse contexto, é fácil perceber que as incontáveis espécies de plantas, animais, insetos e micro-organismos, que precisam disputar recursos essenciais limitados, acabariam em uma feroz competição pela sobrevivência.


O sucesso na difícil empreitada de manter-se vivo depende de uma condição básica: a alimentação. É simples assim! Os vencedores são aqueles que conseguem alimento, e os perdedores os que se tornam o alimento. Portanto, a nutrição é o grande motor evolucionário que impele as espécies a desenvolverem todas as fascinantes adaptações que você verá nesta página.


Desde os mais mortais venenos, às engenhosas técnicas de camuflagem, cada uma das espécies tem a mesma motivação que o lactobacilo.com: a nutrição! Bem vindo à sopa primordial, mas, segure-se porque, agora, você também faz parte dessa cadeia alimentar... Boa sorte!

Curiosidades

 

 

 

O animal mais venenoso do mundo

 
 

O animal mais peçonhento do mundo

 

A preparação dos animais capturados envolve a remoção da carne onde o dardo penetrou e a limpeza da área. Depois de cozida a presa pode ser comida sem preocupação.

 

A complexidade da composição do veneno dessa rã é extraordinária: foram identificadas mais de 100 substâncias tóxicas, dentre elas a homobatracotoxina, uma substância letal que causa falência múltipla de órgãos em suas vítimas. A arma da Phyllobates é tão potente que para agir, basta que a substância entre em contato com os olhos ou uma ferida aberta, para causar a morte. Mesmo o contato direto com a pele pode ser fatal!

Rã de Ponta-de-Flecha - Phyllobates Terribilis

O peso pesado dos animais venenosos é uma rãzinha da região da Amazônia de pouco mais 3 cm de comprimento. Apesar de pequena ela é considerada o vertebrado mais venenoso do mundo. Dois milionésimos de grama do seu veneno são suficientes para matar um homem adulto, quase, instantaneamente.

 

A Rã de Ponta-de-Flecha recebeu esse nome de tribos indígenas da região que costumavam esfregar pontas de flechas e dardos de zarabatana em suas costas, a fim de torná-las mais letais.

 

O peixe mais venenoso do mundo

 
 

O único pássaro venenoso conhecido

 
 

Mamonas assassinas

 
 

A dor mais excruciante

 

Chiropsalmus Quadrigatus - a Vespa-do-mar

A vespa-do-mar passa a vida flutuando pelos oceanos, em grupos de centenas ou milhares de indivíduos, e se alimenta de pequenos peixes e outras criaturas marinhas de pequeno porte. Ao contrário de muitas espécies de água viva que boiam a mercê das correntes marítimas, essa medusa pode se movimentar bombeando a água para fora de sua cavidade.

 

Há algumas espécies de água-viva comestíveis, contudo, você não verá vespas-do-mar nos cardápios dos restaurantes. Afinal, é melhor comer vidro em pó do que esse bicho aí!

A Vespa-do-mar, muito comum na Austrália, é um tipo de água-viva (também chamada de medusa) de cor azul-claro que tem uma forma semelhante a de um sino, ou de um cubo - o que lhe garantiu o apelido de box jellyfish ("água viva de caixa", em tradução livre). Sua aparência translúcida e azulada cria uma camuflagem perfeita, tornando-a virtualmente invisível nos oceanos.

 

Essa mortal medusa possui mais de uma dezena de tentáculos que podem alcançar três metros de comprimento cada. Eles são recobertos por estruturas chamadas de nematocistos que se desprendem quando tocados.

 

Os nematocistos têm o formato de espinhos e injetam um veneno que pode causar parada cardíaca em um ser humano em, apenas, 30s. A dor provocada pelo veneno desta medusa foi descrita como a mais excruciante do mundo - comparável ou superior à ferroada do ornitorrinco!

O Caracol-Cone pode lançá-lo a pequenas distâncias usando uma "tromba" alongada (sua língua) como zarabatana. A vítima morre quase instantaneamente! Uma gota de seu veneno é suficiente para matar 20 homens.

 

Os cientistas acreditam que a potência do veneno desse molusco, é uma adaptação necessária para compensar a velocidade dos pequenos peixes, dos quais se alimenta. Por ser lento, o caracol precisou desenvolver uma toxina que paralisasse o animal instantaneamente. Se a presa fugisse, o caracol teria poucas chances de alcançá-la - mesmo a curta distância - e, além disso, acabaria se expondo a predadores, durante o deslocamento.

 

No entanto, hoje em dia, o Caracol-Cone salva vidas em lugar de tirá-las! Apesar, de algumas fatalidades anuais, o veneno desse caracol deu origem a uma nova geração de drogas revolucionárias - dentre elas, um potente analgésico, a ziconotida, mil vezes mais potente que a morfina, mas, sem efeitos viciantes.

Vídeo: Caracol-cone capturando uma presa

Quem já imaginou que catar conchinhas na praia, poderia ser um passatempo mortal? Mas, é! Afinal, o veneno mais letal conhecido pelo homem é produzido por um molusco marinho: o Caracol-Cone (Connus Pannaeus).

 

Esse pequeno caracol, encontrado em toda a região do indo-Pacífico, usa uma estratégia incomum para capturar sua presa - pequenos peixes e outras criaturas - um arpão venenoso.

 

Peçonha vs veneno

 

A peçonha é um “coquetel” de proteínas desenvolvidas para causar danos à vítima. Ela pode conter dezenas de compostos neurotóxicos, proteolíticos, hemolíticos e coagulantes. Os compostos neurotóxicos agridem o sistema nervoso, enquanto os hemolíticos “destroem” as hemácias (células vermelhas do sangue) e os proteolíticos, as proteínas. Algumas destas substâncias são tão poderosas que podem causar um quadro de hemorragia generalizada, no qual a vítima tem sangramentos em todo o corpo - poros, olhos, gengivas...


Da mesma forma que as enzimas presentes na saliva humana, como a ptialina, contribuem com o processo digestivo, as peçonhas também têm à função de “dissolver” os tecidos da presa ainda viva. As aranhas, por exemplo, não possuem dentes, portanto, após injetarem a peçonha, têm que aguardar até que o interior de sua vítima esteja totalmente liquefeito para, então, suga-la como a um milk-shake (argh!). Parece horrível, mas, os animais peçonhentos - como as aranhas - fazem, exatamente, o mesmo: usam o veneno para começar a digerir a presa, antes de engoli-la!

 

Portanto, fica a dica: peçonha é um veneno produzido, exclusivamente, por animais que podem inoculá-lo, usando "mecanismos" especialmente desenvolvidos para essa finalidade.

Extração do veneno de uma jararaca

O termo veneno muitas vezes é aplicado de forma indevida. Veneno é qualquer substância tóxica de origem diversa (animal, vegetal ou mineral) que causa danos ao organismo. Por exemplo, as rãs de ponta-de-flecha, a cicuta (uma planta), e o iodo (um mineral) são venenosos e, portanto, se ingeridos inadvertidamente, podem causar a morte. Mas, nenhum deles é peçonhento. Já as cobras são animais peçonhentos, ou seja, produzem uma peçonha, mas, não são venenosas. Você pode comer uma cobra, tranquilamente, se evitar as glândulas de veneno.

Pitohui - o pássaro venenoso da Nova Guiné

O pitohui é um pássaro encontrado na Nova Guiné, que apresenta uma peculiaridade que o difere de todos os outros: é o único venenoso. A toxina, presente na pele e nas penas dessa ave é a mesma encontrada na rã de ponta-de-flecha: a ba-tra-co-to-xi-na.


Os cientistas, pouco sabem a respeito desse animal, recentemente descoberto, mas, há indícios de que o pássaro adquira a toxina ao se alimentar de uma espécie de besouro da região. Outros argumentam que o animal não a contrai por meio da ingestão, mas sim, esfregando os insetos nas penas, que se tornam, dessa forma, tóxicas.

 

Alguns (sábios) nativos evitam o consumo desse pássaro, mas, outros afirmam que uma meticulosa preparação, torna-o comestível. Será?

A vítima, morreu em menos de 72 horas, após ser inoculado com a cápsula. No hospital, antes de morrer, ele contou que sentiu o guarda-chuva lhe espetar a perna, enquanto caminhava em meio às pessoas na rua, mas não desconfiou de nada. Disse, ainda, que viu o rosto do espião que lhe ferira, mas, o homem apenas se desculpou e seguiu seu caminho, como se nada tivesse acontecido. A ricina é mortal em doses tão pequenas quanto 500 microgramas!

Cacho de mamonas

Esfera de metal

(imagem ilustrativa)

Há evidências de que o serviço secreto russo - a KGB - forneceu ao Governo da Bulgária, uma arma camuflada na forma de um guarda-chuva, usada no assassinato de Georgi Markov - um jornalista dissidente. O aparato injetava pela ponta de ferro na extremidade do guarda-chuva, uma minúscula esfera, feita de uma liga metálica não rejeitada pelo corpo humano. A cápsula, que continha em seu interior uma quantidade ínfima de ricina, liberava o veneno continuamente, por meio de orifícios minúsculos (veja imagem ao lado).

A Ricina e o Serviço Secreto Russo (KGB)

Há controvérsia sobre qual planta é a mais venenosa. Mas, certamente, nossa eleita é uma forte candidata ao posto: a mamona.

 

Muita gente fez, na infância, a famosa guerra de mamona sem saber que estava, inocentemente, atirando projéteis tão letais quanto os de uma arma. Bem, nem tanto, vá lá. Mas, de fato, a mamona contém uma das substâncias vegetais mais tóxicas conhecidas: a ricina. Essa toxina, classificada como inativadora de ribossomo, penetra nas células e se liga aos ribossomos, impedindo a "montagem" dos aminoácidos em proteínas, causando, assim, morte celular.

 

Apenas uma semente de mamona pode matar uma criança; duas causariam a morte de um adulto. A morte ocorre, tipicamente, de 3 a 5 dias após a exposição. Não há antídotos para essa toxina, mas, há algumas drogas em fase de teste em laboratórios do exército americano e do Reino Unido.

Peixe mais venenoso

Animal mais venenoso

Animal mais peçonhento

Pássaro venenoso

Planta mais venenosa

Dor mais excruciante

Veneno vs peçonha

Mestre dos disfarces

Importante

O polvos têm apenas um órgão rígido, o bico - uma estrutura adaptada para triturar as presas - portanto, o resto do corpo de consistência gelatinosa, possibilita a essa criatura se esgueirar por fendas apertadas e locais de difícil acesso a outros animais.

 

Muitas espécies (foto ao lado) rivalizam em toxicidade com os animais mais peçonhentos conhecidos, porém as habilidades miméticas e de camuflagem do polvo são mais espetaculares que a letalidade de sua toxina. Eles se alimentam de peixes, crustáceos e outras criaturas marinhas e seu habitat se estende por quase todo o oceano.

 

Seus oito tentáculos possuem ventosas que aderem a, virtualmente, qualquer superfície e são usados para agarrar as presas, enquanto o bico as tritura (e injeta a toxina, no caso das espécies venenosas).

 

O polvo pode usar a camuflagem e imitar outros predadores, para se defender, mas, se tudo mais falhar ele ainda pode lançar uma "nuvem" de tinta negra para escapar. É definitivamente um animal espetacular esse polvo!

Vídeo: a camuflagem do polvo e outras curiosidades (ative o recurso de legendas)

Hapalochlaena-lunulata - o polvo-de-anéis-azuis

Dentre todos os grandes embusteiros da natureza um deles se destaca como o Mestre dos Disfarces: o polvo.

 

Os polvos são capazes de uma proeza fenomenal, mudar de cor, forma e textura - ao mesmo tempo! (vídeo ao lado)

 

Testes em laboratório provaram que esses animais são criaturas muito inteligentes e ágeis.

 

O mestre dos disfarces

 

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